domingo, 21 de dezembro de 2014

Este ano...quantos anos e universos o habitaram? 
Quantos? 
Muitos. Vamos por marcos:
A Ponte fez um ano, e fez também um ano de DL. Porque há sempre o AL(antes do Lupus) e o DL(depois do Lupus). Não tanto pela doença em si, nada disso. Mas pelo Renascimento e "cortar de entranhas" que isso envolveu, dentro e fora de mim.
Se alguma vez tivesse tido um coração sangrante que tivesse de o rasgar com as mãos por amor a Mim, foi ali. Naquele momento, um ano atrás.

Também foi um ano de términos. Da Ponte a pontas soltas.
Foi um ano fechado, virado para o interior. Ausente de proximidade, de calor, com todos e cada um a viver a seu próprio compasso, sem sequer tempo de digerir as suas mudanças, quanto mais dar atenção ás dos outros.
Sim, senti falta dos amigos, embora tenham estado sempre cá, do lado de dentro, á distância de uma palavra, de uma mensagem.
Soube a pouco na verdade, queria mais, sim. Mas não foi possível nem receber, nem vos dar, e sem mal algum, porque estávamos todos na centrifugadora interna desta energia deste ano....

Foi um ano de conquistas, também. Não só minhas, mas dos outros, sejam as conquistas internas, do nosso caminho, do nosso poder, sem alguma maldade no uso da palavra, mas foi um ano de muito conhecimento.
De muito questionamento de:
Porque isto me provoca isto? Donde vem?
Está tudo em mim, então porque permito? Porque vejo assim?
Não é o outro, sou Eu.
E cada vez me via mais e mais espelho, desse grande espelho meu...
Passado um ano, parecia uma troca de energia.
Nunca antes tinha sido tão Tu. Nunca antes tinha sido tão Eu, no entanto.

Gosto, realmente gosto de ver as vossas conquistas, as vossas metas alcançadas, estivessem ou não propostos a isso, mas gosto de ver como a energia se desenvolveu ao longo deste ano, o quanto cresceram, o quanto permanecem iguais.

Sobretudo vejo que há os que escolheram: um caminho, uma via, one path...
Nunca nada está errado e a maneira certa de o saber é sabendo que o estamos a viver, então é certo.

Mas se uns caminhos afastam alguns de mim, outros aproximam-nos a uma velocidade quântica!
E por esses estou tão grata, pelos que me são trazidos, ora de novo, ora pela primeira vez ao "meu" caminho...Ora pelos caminhos que se cruzam e entrecruzam, onde a direcção é em frente, numa espiral de oitava em oitava ora subindo ora descendo, mas sempre ascendente.

Senti alguns caminhos, de alguns, fazerem volta atrás...Lancei aviso de contramão, mas não é minha responsabilidade, nem minha presunção achar que é esse o caminho.Mas é minha responsabilidade aceitá-lo. E deixá-lo ir.

Mas também foi um ano de começos.
De começos, consistência e coerência.
Começos que ás vezes significam recomeços.
Às vezes é preciso voltar atrás e refazer tudo com uma energia nova.
Com uma nova Confiança, Auto-confiança...renovadas.
Como a Into, que já vinha desde o início ou de há 3 anos, mas Saturno em
Escorpião andava aqui a testar se estava a postos.

Estou sim, estou a postos, estou pronta e cada vez mais Eu, com menos medo de mim, ou de ficar envergonhada de ser Eu, porque..porque raios havemos de ter vergonha de ser a melhor versão de nós mesmos? E dar-Nos primeira_mente valor?
Sim, eu valho, eu Sou e eu Acredito. Em mim, acima de tudo.
Eu a mim não me falho. Nunca*

Isto era uma suposta mensagem de Natal, esqueci-me...
Então os meus votos para todos é que sejam o mais possíveis autênticos, com medos, sonhos, desejos, saudades, vulnerabilidades e magia , com todo esse "quê" que vos torna únicos e Unos!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Há linhas que nos atraem, intersecções com que cruzamos muitas e muitas vezes.
Há triângulos que nos despertam, trígonos que nos admiram, triangulados que nos suportam.

Nesse traço que me alinho, gosto que me conheça a sombra, vejo a risca, vejo a linha, vejo o traço...muito brilho, pouca treva.

Simples, como do ponto A ao B, em linha recta.
Como se fosse a corda onde me equilibro, como no slackline ou equilibrismo, onde carrego a vara, como uma balança com plumas nas pontas.

Fico-me então por esse trígono, perfeito, que te repousa aí no ombro, onde me deito e amparo.

Onde há água, que me expande, terra que me contenha, ar que não me falte...e fogo onde me queime.

Gosto. Gosto de linhas que me despertam palavras.

domingo, 14 de setembro de 2014

Esta noite começou duma forma gira. Para já estava a sentir-me tão bem, que nem me apetecia ou nem precisava fazer mais nada...mas de alguma forma isso tornava-me comodista e a fazer o mesmo de sempre, a fechar-me. De repente, decidi que ou mudo mesmo o parão e me aventuro ou apanho-me sempre a fazer as mesmas coisas. Então comecei a falar com ela como tínhamos falado de tarde nisso...e vais, não vais? talvez, vamos puxar uma pela outra? Epá, o dinheiro é pouco, como vamos? Logo vemos, que tal a pé? (e eu cheia de dores nos pés, devido á minha falta de segurança e apoio metafisícamente falando, tão lixados e doem-me porque olha...é o que é!)
A "desistente/comodista" dizia-me logo que nem pensar, tava doida, devia ficar em casa, e ver um filme, qq coisa menos andar horrores!
Mas a "outra" a plena, a aventureira, dizia-me: "Why not?!".
E lá me vesti e arranjei, é curioso, como uma mulher se prepara pra "guerra", e sinceramente já não me lembrava de me vestir como quem se veste para ir batalhar...até que me dei conta disso e pensei...Para quem te preparas assim? E logo no imediato a resposta: Para mim! E lá fui!
Como lhe disse ao telefone: epá, já não me lembro bem como se chega aí...ao contrario e de carro até consigo visualizar, mas olha se me perder ligo-te e o caminho aparece quando nos metemos aos caminho!
E andei, e não custava...E já não ouvia piropos dos carros e isso sabe bem, de repente até nos esquecemos desse mundo e há quem seja contra isso, mas sabe bem, lembra-nos de nós e nada mais 
E cheguei a uma parte do caminho e quando não sabes se é por ali ou por aqui, o melhor é parares e perguntares e segui com um casal que podiam ser meus pais, que me guiaram em parte dele, falando da festa, e do calendário de festas para trás e pra frente. "A seguir vem a das nozes!" E sorrio  Haja vida pra tanta festa, haja festa para tanta Vida!
E a música sugere-me bailarinas com tutus fluo: Elas ficam loucas, loucas...rio-me com o rídiculo da letra e por momentos aptece-me ter tutu fluo rosa e dançar na parvoíce das letras com uma fartura na mão 
Quase a chegar, sinto que os músculos das coxas estão fortes, mas não doem, sentem-se e dizem-me que são capazes. Do outro lado a estrada e penso: Ok, na próxima consulta posso perfeitamente vir a pé!
Depois de chegar á cidade, á confusão e ao mesmo tempo uma certa ordem apesar de tudo, pensaria estar caótico, dou-me conta: Ao tempo que não fazia nada por mim, como estou orgulhosa de me aventurar, quando ao início nem pensaria nisso pelas razões lógicas!
De repente achamos música que me toca e depois disso nada mais no cartaz interessava porque não me dava vontade de fazer sapateado irlandês no meio da rua, mesmo onde antes(nos pés) me doíam incapacidades.
E um abraço de luz, ali no meio, que saudades, maninho, tira uma tarde para nós, é tanto para contar que não há resumo possível em 10 minutos, mas resumindo Estou aqui, sou eu, viva 
E o hidromel já fora bebido e lembrei-me de outras noites, a mesma temperatura e em quanto já tinha vivido...
Uma verdadeira noite revival!
"puseram alguma coisa na água, decerto, ou são as energias?"
E siga pra próxima..."Epá, deixa-me fazer ali um update, afinal este é meu mano desde os meus 12, conhece quase toda a minha vida!"
Mais é frente e noutro lado, volto a ter 13/14/15 e faltam alguns, mas de repente encontro o passado, num presente diferente, abraços, beijinhos "Este era meu colega de carteira...ainda tenho lá em casa o teu mp3 ou 4, mas guardei-o tão bem que não o encontro, quando encontrar ligo, esta semana ou quê ó vizinho, ok?"
E a minha alma, cansada de lobos intermediários, diz para lhe pedir desculpa de coração...sempre lutei por ela, sempre a admirei também...O momento estava ali e foi bom, pergunta de mim, dos miudos, não me conhece, não me julga, mas estamos ligadas em níveis mais profundos..."Pensei em ti esta semana", foi o mote. No fim ele convida-me a segui-los, afinal o destino no fim é todo o mesmo: aqui. Epá, nunca te vi tão moca, nem nos tempos de moca, mas vão divirtam-se, eu estou com ela e vou com eles 
E no fim, chego a casa e sinto-me tão grata por tudo!
Acordei com gratidão, mais eu do que nunca e a gata desde ontem não me larga...O Amor é uno com tudo, todos e não podemos fugir ao que somos 

sábado, 6 de setembro de 2014

Tenho vivido mil vidas...
Sabes? Tenho vontade de morrer rápido, fazer um reset desta vida, acho que perdi a esperança...Assim, ficaria a recordar cada detalhe, cada memória, cada impressão tua impressa em mim. Tento sempre, sabes, tento sempre não te esquecer, não a forma, mas o gesto, a maneira como ris, como calas, como falas, tudo! E assim ficaria a relembrar tudo, até chegares...e quando chegasses faríamos uma festa e íamos combinar todos os detalhes para não nos perdermos, nem esquecermos de nada...e aí renascia, e tu renascias, bem perto um do outro. E quando começasse a gatinhar já seria á tua procura...e seríamos amigos desde o primeiro passo, um de encontro ao outro! E as discussões seriam todas logo de ínicio, por penaltis ou batota ao monopólio, ao berlinde ou ás escondidas, discutíamos por brinquedos emprestados ou parvoíces assim. Para que quando chegássemos á adolescência, nos redescobríssemos....de novo, mais uma vez. E assim ficássemos, nesse limbo uns anos a contar um ao outro as aventuras vividas, as pessoas conhecidas, sendo que sabíamos ser sempre um do outro desde o início...e quando a maturidade chegasse, veríamos que só havia ali um, o de sempre o único possível...E fazíamos o nosso conto de fadas, sem precisar de derrotar dragões e sem medo de masmorras, a ansiar pela liberdade...Porque a tua liberdade libera a minha...tenho vivido mil vidas...quando será a última?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Das mulheres...

As mulheres que eu conheço são fortes. Demasiado fortes.
Eu mesma, sendo mulher, admiro-me ás vezes da fortaleza que somos e que nem sempre vemos que o somos...assim tão fortes.
Ontem vi o mais que falado, "A culpa é das estrelas", e fiquei a pensar...
Há uma cena no filme que a protagonista lembra de quando ficou com água nos pulmões e de á entrada da urgência, hábito americano, lhe perguntarem o nível da dor numa escala de 0 a 10. Ela deu um nove, porque estava a guardar o 10 para mais tarde. A enfermeira disse que ela estava a dar um nove a um dez e isso era duma corajosa.
Pensei em quando eu mesma tive água até aos pulmões. E não me lembro de sentir qualquer dor. Surpreendida talvez pela sensação, nunca sentida, de ter como que um elefante apoiado com as quatro patas no meu peito...mas dor? Não me lembro de dor. Para mim, toda a experiência, mais a nível emocional, do que físico era todo um nível 10.
Ok, agora lembrando aquela coisa de "me espetarem uma seringa para ver o nível de oxigénio no sangue, no pulso", isso merecia um simples 10 por si só. Chorava só de ver o objecto de tortura ao longe, mesmo que não fosse para mim.
Mas ninguém diga que sou menos forte por isso.
A vida ensina.
Entretanto, reparei também que me esqueci da dor nos partos.
Ao falar sobre isso, não me lembro da dor, só de sensações.
A dor com um sentido tende a ser esquecida no tempo.
"Parto natural? Mas com soro?!"
-Amor, no hospital metem soro para tudo, mal entras metem o catéter e ainda estás a dizer "Mas eu só vim pagar a conta da minha sogra!
A história do soro lembrou-me outra sensação, não talvez dor, mas ainda assim dor...o antibiótico a entrar nas veias, a sensação de gelo e paralisação da mão, aquele líquido a arder nas veias. Sim, também da pleurisia, do pulmão.

Mas, não pretendia falar só de mim, ou da doença.
Queria falar de como as mulheres sentem tudo, de como são fortalezas, de como dão e dão e voltam a dar tudo por tudo, mesmo que ás vezes, e isso já verifiquei, é verídico, vi acontecer com amigas...quase as mate.

Já vi amigas quase morrerem, não de "amor" ou "por amor", mas no fundo de serem fortes...de continuarem a dar...e dar.. e dar.
Mas, não se pode impedir o rio de correr para o mar, certo?

Tudo é um percurso, e o mesmo rio pode escolher em algum ponto desviar-se no caminho, seguir por outras margens. E isso também está certo.

Aliás, tudo está sempre certo. Até mesmo na doença.
Ou como dizia no outro dia:
"Podia ser uma galáxia ou um buraco negro. Talvez a doença fosse uma forma de me poupar ao buraco negro".

(este texto foi inspirado por,pelo menos, quatro grande mulheres que passam situações de mudança e que têm agora de ser a fortaleza que ainda não sabem que são. A elas:  )